Quando
estávamos voltando das Ilhas
Cagarras o Mestre do barco disse que precisávamos escalar
na Ilha Redonda também. Já tinha ouvido sobre
escaladas lá, e que era necessário dormir na ilha
para poder aproveitar o lugar. Assim, aceitamos a sugestão e
começamos a pesquisa. Mais uma vez recorremos ao Senhor
das Escaladas Insulares, Flávio Carneiro, dono
da Limite Vertical (21 2246-9059), um muro de escalada que
funciona em Botafogo.
A
logística é parecida com a das Cagarras, só que
mais complicada. Da mesma forma, precisamos alugar um barco,
mantivemos o mesmo da vez anterior, o Mestre Zé (21 9145-3285),
com o Rio Una. Também é necessário um tonel
para o transporte do equipamento do barco para a Ilha, esse, mais uma
vez, cedido pelo Flávio.
Inicialmente
dez pessoas confirmaram presença, algumas desistiram
e reduzimos esse número para oito. Marcamos para um final de
semana de janeiro (2008), mas o tempo não ajudou e tivemos que
adiar a viagem. Remarcamos para o feriado da
Páscoa, pois, segundo algumas pessoas que já
haviam ido, três dias seria o ideal para aproveitar bem a estadia.
Nesse meio tempo, mais duas pessoas desistiram e, por fim, mais uma,
restando cinco.
A
parte chata dos feriados é que todos sempre escolhem os mesmos
destinos, com isso o trânsito vira um caos, e o que era
pra ser um paraíso se transforma em um inferno de tanta gente.
Conheço algumas pessoas que até gostam desse tipo de muvuca,
eu simplesmente detesto. Mas esse não seria nosso caso, enquanto
os que gostam de uma praia estavam indo para a Costa Verde ou para a
Região dos Lagos, nós ficaríamos a cerca
de 14 Km da Urca, ao mesmo tempo na cidade do Rio, mas totalmente isolados.
João,
Bernardo e eu chegamos no Quadrado da Urca por volta das 7:15
h, e aguardamos os outros dois. Rafael chegou com oito
litros de água para ele e Chang passarem três dias, contando
que seria para beber, cozinhar e para enxaguar do banho de mar. Conseguimos
convencê-lo que seria necessário de um “pouco”
mais, depois disso ele voltou com mais dez litros. Chang,
algum tempo depois, chegou, completando o quinteto. O Rio Una zarpou
depois da 8 h.
Clique
nas fotos para ampliar
O
transporte
A
paisagem
Rumo
ao destino
Aproximação
O
trecho até a Ilha é vencido em 1:40 h. Lá
também não há praia, o barco fica ancorado a uns
40 m metros das rochas, duas cordas são amarradas ao tonel, os
equipamentos colocados dentro, um escolhido pula na água e leva
uma ponta de uma das cordas até a Ilha. Mais uma vez fiquei com
essa missão, calcei minha sandália, indispensável,
já que as pedras são repletas de mariscos, e nadei até
a margem, quando estava me preparando para subir, senti a corda sendo
puxada, olhei para trás e vi o barco com a popa virada para o
meu lado, imaginei que a corda havia se enroscado na hélice,
enquanto era arrastado, tentava me desamarrar, depois que consegui,
vi que o João é que estava puxando a corda, justamente
para que não ficasse presa na hélice. Depois do susto,
recuperei a corda e cheguei à rocha seca, na borda de
uma piscina natural, que mais tarde seria nosso local de banho.
Bernardo veio logo depois, seguido de Rafa. Enquanto nós três
içávamos o tonel para a Ilha, Zé, João e
Chang o jogavam com o equipamento, mantendo a ponta da outra corda com
eles. Após esse trabalho de vai-e-vem, fixamos a corda para que
esses dois últimos subissem por ela, principalmente Chang, que
não fica muito à vontade com o mar. Quando já estavam
no costão dos mariscos, uma onda mais forte veio e Chang soltou
a corda, sendo jogada para cima das lâminas e levada de volta
ao mar, João, que ficou agarrado ao cabo, subiu sem problemas,
Chang deixou um pouco de sangue do joelho e das costelas no
mar, mas sem maior gravidade.
Primeiro
contato com os habitantes locais
Transporte
até o acampamento
A
tralha e os mantimentos
Corpo
x cracas...
Um
dos dois sangra
Primeiros
sintomas do mal da montanha
Todos
em terra, Zé partiu, com a promessa de nos resgatar domingo pela
manhã. Como Bernardo falou ao ver o barco ir, “dá
uma sensação enorme de abandono” ao vê-lo
se afastar cada vez mais. A segunda parte do desembarque consiste em
levar todo o material até o local do acampamento, que fica uns
30 m à esquerda dali. Próximo ao mar locais planos são
raros, nem onde dormiríamos era exceção. Chegamos
à nossa toca, que estava completamente molhada, escorrendo água
no chão e pingando do teto. Para completar a cena, havia um filhote
de pássaro morto na área. Peguei-o pelo pescoço
e fiz seu funeral no mar. Após isso começamos a nos organizar.
O
acampamento resume-se a um U formado por três paredes de rocha
e com tetos por baixo de duas dessas, entre essas fixamos uma lona,
para nos proteger do sol e do ataque fecal das aves, que dominam
a Ilha, são realmente muuuuuuitas. Nem por baixo dos tetos é
plano, assim, a solução passada pelos desbravadores da
Ilha foi dormir em redes, essas fixadas com material móvel de
escalada. Isso limita o número de candidatos para, no
máximo, seis, pensando no mínimo de conforto,
com mais que isso o espaço começa a ficar pequeno.
Testamos
as ancoragens para as redes, já definindo onde cada um ficaria.
João, Bernardo e Rafa ficaram sob o pingante teto principal,
fiquei com um mais baixo, porém seco, do lado
oposto e Chang acomodou-se embaixo da lona. Comemos,
descansamos e esperamos o sol baixar para acessarmos as vias do Setor
Sombra à Tarde. Partimos às 14 h.
Na verdade, os dois setores são alcançados pela mesma
trilha. Caminhamos mais para a esquerda do acampamento, subimos por
alguns blocos e chegamos à base da primeira enfiada da Virgem
do Atlântico (5º VI sup), um fácil costão
de 3º grau, mas sem proteções. Levei a corda para
cima, em direção a uma árvore destacada, encostada
na parede. Fixei-a e os outros subiram. A árvore fica ao lado
de um bonito diedro, que é o início da segunda enfiada.
Neste setor, além da Virgem do Atlântico, há mais
duas vias, Devassa (5º VII) e Siga o Magnésio
(5º V sup), escolhemos esta última por ser menos
comprometedora neste primeiro dia.
Aguardando
o sol baixar
Aquecimento
No
teto de casa
Partiu!
Com
exceção da Devassa, que fica à esquerda da árvore,
todas as outras vias ficam à sua direita, assim fomos
margeando a rocha, deitando o capim colonião até chegar
em uma área novamente com árvores, de onde já era
possível ver o primeiro grampo da via, ali fica a base da Siga
o Magnésio. Esta segue uma parte mais escura da rocha, mesclada
com línguas brancas, cortesia dos principais moradores da Ilha.
Clique nos nomes
das vias 2, 3, 4 e 5 para baixar os croquis e no nome de um dos setores
para baixar os traçados
Não
dá pra descrever a quantidade de pássaros que há
na Ilha, no céu, nas árvores, nas rochas, no chão.
Assim, é preciso ter cuidado com seus ninhos, nessa época
havia vários com ovos. Algumas aves não se importavam
tanto com nossa presença, mas outras, com mais freqüência,
assustavam-se ao nos ver passar. Portanto, todo cuidado onde pisa e
procure fazer menos barulho possível.
Finalmente
iniciamos os trabalhos, subi com Chang fazendo minha segurança.
A via é um 5º grau constante e bem interessante, com possibilidade
de proteções móveis na primeira enfiada,
usei dois friends #2 da Rock Empire. Cuidado com um
grampo fora da via, que fica à esquerda de um grande buraco em
sua primeira metade. Este foi batido para uma sessão
de fotos de Marcos Terranova para seu Livro Montanhas do Rio, onde o
mesmo fez sua proteção ali. Nesse ponto siga a linha de
grampos pela direita.
Siga
o Magnésio
Mais
um guia
A
outra cordada seguiu logo atrás com Bernardo puxando João
e Rafa. Chang deixou os friends para que estes os usassem, já
que nenhum dos três ainda guia em móvel. É
necessário material móvel para todas as seis vias da Ilha,
um rack com um jogo de friends, um jogo de nuts e opcionalmente alguns
tricams são suficientes. Para a Virgem do Atlântico também
são utilizados cliffs e estribos.
Continuei
subindo e após mais uma parada chegamos ao final da via, com
o sol se pondo de um lado e a lua, enorme e brilhante, nascendo
do outro. A segunda cordada não conseguiu terminar.
Rapelamos todos e partimos para nossa toca. Deixamos as cordas ali na
base, poupando nossas costas de carregá-las abaixo e acima por
mais um dia.
O
sol se pondo lá do outro lado
E
a lua nascendo desse
A
fauna da parte seca da Ilha resume-se, pelo que vimos, às aves,
Fragatas e Atobás, pequenos lagartos e baratas, que durante o
dia são invisíveis, mas à noite saem dos ninhos,
infestando toda a trilha de volta, me senti no filme Joe
e as Baratas. João percorreu o trajeto inteiro reclamando
com nojinho dos bichos, dizendo, depois, que em determinado instante
até apagou a lanterna para não enxergar nossas companheiras
locais.
Noite
na Ilha
Cada
ponto marrom é uma barata
Boa
noite
Chegamos
na árvore onde havia deixado a corda fixa, rapelamos mais uma
vez e chegamos aos costões laterais do nosso acampamento. Esta
corda permaneceu na rampa, facilitando nosso acesso no dia seguinte.
É importante somá-la ao material necessário a ser
levado para a Ilha, pois facilita o acesso e economiza tempo de subida
para as bases das vias.
Foi
uma noite de ventos fortes, dificultando principalmente cozinhar,
o jantar demorou bastante, mas saiu :) Rafa e Bernardo deliciaram seus
miojos, enquanto fiz arroz de verdade com legumes. Chang e João
me acompanharam. João completando com sardinha, Chang e eu com
um omelete de queijo. Levei alguns ovos pra ilha, todos sobreviveram
ao transporte ;)
O
vento agitou também o sono de todos, Bernardo ainda sofreu com
um filete de água escorrendo por sua rede e molhando-o durante
o sono. Problema resolvido com uma sacola de supermercado e meia hora
de trabalho :)
O
dia seguinte começou tarde, talvez, devido ao sono turbulento.
Saímos do acampamento depois das 9 h, após o café
da manhã.
Mais
um dia de escalada
Uma
das poucas espécies da Ilha
Chocando
ao sol
O
namoro
E
a conseqüência
Para
os que têm o intestino preciso, é importante saber que
o banheiro fica bem à esquerda do acampamento, onde
terminam os costões e a rocha cai no mar. Ali é o melhor
local para o alívio matinal.
Mais
uma vez subimos pela corda fixa, chegamos à árvore e fomos
costeando a pedra até o Setor Sombra Pela Manhã.
Como referência, basta caminhar até avistar uma
enorme laca a uns 50 m de altura, que é comum às
vias Um Convite ao Ócio (4º IV sup) e A
Ver Navios (4º V), um pouco antes fica a base da Atobá
Cabeção (4º V). Como chegamos quase à
tarde, o sol já estava castigando. Dessa vez fiz cordada com
João e Bernardo na Atobá Cabeção, enquanto
Chang guiaria Rafa na Um Convite ao Ócio, uma das vias mais expostas
da Ilha, classificada como E4. Uma dica interessante
é levar rádios comunicadores, em toda a ilha
venta, isso somado ao barulho do mar, dificulta bastante a comunicação
entre os escaladores. As duas cordadas sofreram com isso.
Subi
guiando a primeira enfiada, bem divertida e totalmente em móvel,
o primeiro grampo fica a 50 m da base, assim, só e possível
rapelar aqui com duas cordas. Parei no grampo seguinte e João
começou a subir, seguido por Bernardo, nesse instante soube que
esta criatura, mesmo com vários avisos de que passaríamos
o dia inteiro na rocha, não havia levado água. Cuméquipode???
Início
da Atobá Cabeção
O
retorno, 100 m de via em um dia inteiro
Enquanto
Bernardo estava subindo, Chang, que estava na via do lado, disse
que estava com a corda presa na grande laca da via. Ela já
estava sobre esta, mas não conseguia puxar o participante. Falei
pra fixar a corda e pedir para o Rafa subir prussicando, o que era inviável,
pois o infeliz não tinha nenhum cordelete :(
Nisso Bernardo avisa que não estava conseguindo tirar um dos
friends que eu havia colocado, mesmo depois de várias tentativas
a peça não saiu. Falei pra ele deixar, tentaríamos
tirá-lo na descida.
A
via em que estávamos, em sua segunda parte, faz uma diagonal
para a direita, fui até o final dessa diagonal e desci de baldinho
até Chang. Ela havia descido da laca, já tinha conseguido
soltar a corda, mas ainda corria o risco desta prender novamente, sugeri
que ela fizesse a segurança do participante sem-prusik :( dali
mesmo. Com isso ela laçou um bico de pedra, se ancorou ali e
completou a segurança com um friend colocado na laca. Ajudei
a fixar a parada com a própria corda e os dois saíram
da enrascada. Subi entre as duas vias, com João fazendo minha
segurança, até chegar ao grampo de onde havia descido.
Continuei subindo até o final da via, que termina no
cume da Ilha. João veio logo depois e Bernardo, o sem-água,
limpou também esta segunda enfiada. Enquanto este subia, com
João fazendo a segurança, me refugiei do sol em uma árvore
mais acima do final da via.
Abri
o rapel e, ao descer, vi Chang iniciando a segunda, e última,
enfiada de sua via. O que fez rápido, pois quando terminamos
de descer, ela e Rafa já estavam se preparando para o rapel também.
Recuperei meu friend e nossa cordada partiu, procurando um local abrigado
do sol, avisamos aos dois e alcançamos a corda fixa no início
da trilha. Entre assuntos úteis e outros nem tanto, esperamos
muito pelos dois, quando o telefone do João toca, que
demorou para atender e viu um número desconhecido na tela, falei
pra ele retornar a chamada e liguei o meu, confirmando que o número
era do Rafa. Deviam estar em apuros mais uma vez. Depois soubemos que
o menino-sem-prusik ligou pra mim, que estava com o celular desligado,
depois ligou pro João, que demorou a atender, como não
conseguiu falar com nenhum de nós, desligou seu aparelho :( para
poupar bateria e ligar para a namorada mais tarde.
João
e eu deixamos Bernardo com nosso equipamento e um celular ligado na
árvore da corda fixa, enquanto fomos ver o que havia
acontecido com a outra cordada. Chegando lá vimos uma cena
interessante, os dois estavam a uns 15 m do chão, na
via que havíamos feito, onde só era possível rapelar
com duas cordas e o primeiro grampo fica a 50 m de altura, sendo que
eles só estavam com uma. Os dois não acreditaram que era
possível rapelar com uma corda só na via por onde haviam
subido, arriscaram na nossa :( A corda acabou em um seqüência
de buracos, eles desescalaram um pequeno trecho até um bico de
pedra e estavam montando o rapel dali em uma fita. Assistimos os dois
descerem, João puxou a corda, recuperando a fita e me dando uma
chicotada, enquanto os dois, torrados pelo sol, desequipavam.
Fizemos
a trilha até onde o Bernardo estava mais uma vez, os quatro desceram
e fiquei por último para recuperar corda. Nesse dia
chegamos mais cedo no acampamento. Após um banho na piscina e
enxágüe com água mineral, fomos à cozinha.
Enquanto Bernardo e Rafa repetiram o bom e velho miojo, Chang, eu e
João, fizemos um verdadeiro rodízio de massas, a entrada
com Fettuccine acompanhado de azeitonas, atum, pimenta moída
na hora e tudo coberto com queijo ralado, uma diliça :) O prato
seguinte foi Penne com alcachofras e sardinha, mais pimenta moída
na hora e mais queijo. A noite terminou sob a luz da lua cheia,
com um ovo e uma caixa de chocolates regados a um bom vinho e conversas
noturnas
.
Ocupamos nossas redes, pela última vez na Ilha, bem antes das
10 h da noite, dessa vez com um clima perfeito.
Ilhéus
E
amigos
A
cozinha
Rodízio
de massas
Sob
a luz da lua
Vinho
e chocolates
Combinamos
que a alvorada seria às 7 h, para ficarmos tranqüilos para
desmontar o equipamento. Não consegui ficar na rede
e saltei de lá antes das 6 h, a tempo de ver o sol nascendo no
horizonte por trás da Ilha do Farol. Os outros foram acordando
aos poucos, primeiro Chang, que dormiu meio na rede que rasgou quase
pela metade, meio na corda que estava em cima da pedra onde se instalou.
Depois João, Rafa logo após e Bernardo, mais seco que
na noite anterior, por último. Arrumamos as mochilas, recolhemos
o lixo, deixamos tudo como encontrado e fomos para a borda da piscina,
o local de embarque. O ideal é fazer o embarque no máximo
até 13 h, já que a partir desse horário o tempo
pode virar, dificultando ou até impedindo a volta para o continente.
O
dia começou claro, mas logo uma névoa espessa tomou conta
do céu, só conseguíamos ver uns 100 m à
frente. Depois Zé contou que teve que navegar com a
ajuda da bússola para chegar até nós, pois a visibilidade
era quase nenhuma. Mas, no final das contas o Rio Una chegou. Refizemos
todo o trabalho de embarque do equipamento com o tonel. Dessa vez João
foi primeiro, levando a corda, Rafa foi depois para ajudá-lo
a subir o material, Chang, dessa vez sem acidentes, o seguiu. Bernardo
e eu fechamos a fila, assim, estávamos todos a bordo. A
Ilha Redonda foi ficando cada vez mais distante e nós fomos voltando
à realidade.
O
nascer do último dia
Alguns
apreciando
Outros
acordando
Embarque
de volta
Tudo
registrado
Até
a próxima visita.
1:40
h depois estávamos no Quadrado da Urca, Chang seguiu
direto para a rodoviária e de lá para São Paulo.
Bernardo pegou o metrô até a Tijuca. Rafa partiu com a
namorada, que foi buscá-lo. Enquanto João, eu e o tonel
fomos no carro da esposa do primeiro, deixaram-me em casa com a incumbência
de devolver o item que tanto nos ajudou para o Flávio, enquanto
os dois voltaram para Niterói para aproveitar o domingo de Páscoa.
Foi um ótimo feriado, sem trânsito e sem multidão,
com uma ilha inteira apenas para cinco criaturas que se dispuseram a
passar três dias dormindo em redes no meio do atlântico,
tomando banho de água salgada que não deixa o sabonete
fazer espuma e sendo bombardeados por centenas de aves apenas pelo simples
prazer de escalar.
A
viagem rendeu duas versões de vídeos,
a primeira, do João Paulo, com cerca de 15 minutos de duração...
... e a minha com um pouco
mais de meia hora. Prepare a pipoca e boa diversão!
Relembrando
pontos importantes:
1)O tonel com duas cordas náuticas são obrigatórios
para embarque e desembarque do equipamento e mantimentos. Devolva-os
enxaguados com água doce e secos;
2)
Há muita craca e ouriço do mar, então é
indispensável andar de papete sempre, desde o desembarque
no mar até o acampamento;
3)
O acampamento é um pouco distante do local de desembarque, portanto,
não levar sacolas soltas, colocar tudo nas mochilas
para ficar mais fácil o transporte;
4)Leve sacos de lixo, traga tudo o que produzir de volta;
5)
Não há locais planos para acampamento, a solução
é dormir em redes presas em móveis nas fendas
dos tetos. As redes ideais são as de nylon, leves e
compactas;
6)Um lona, de pelo menos 2x2 m, é muito bem-vinda,
faz sombra e evita o ataque fecal dos pássaros. Não esqueça
dos cordeletes para amarrá-la;
7)Não há água doce na ilha, é
preciso levar para tudo, beber, cozinhar e enxaguar do banho na piscina
salgada. Entre 3 e 4 litros de água por dia/pessoa;
8)Bastante cuidado com os ninhos das aves, que estão
espalhados por toda a ilha, assim, olhe bem onde pisa;
9)É necessário equipamento móvel para todas
as vias, basicamente um jogo de friends, um jogo de nuts e
tricams opcionais;
10)Rádios comunicadores facilitam bastante a comunicação
na cordada, venta e com o barulho do mar fica difícil entender
o que é falado na parede;
11)É preciso levar uma corda extra pra deixar fixa na trilha,
pois há um trecho em pedra de 3º grau, de uns 40 metros
que, em geral, o melhor é o guia subir, fixar a corda e os outros
subirem jumareando;
12)Combinar com o barqueiro o retorno para no máximo 2 da
tarde, pois é mais longe e o tempo pode virar no final
da tarde;
13)Dois dias são insuficientes para ficar lá,
o ideal são três.
Texto/ Edição
de Vídeo:Claudney Neves Edição de Vídeo: João
Paulo Fotos e Vídeos: João Paulo, Chang Wei,
Rafael Lawrenz, Claudney Neves