
Já
nessa época comprei algumas coisas para a viagem por aqui mesmo,
uma delas foi uma roupa social :( Como o vôo seria uma espécie
de carona, haviam algumas exigências, uma delas é
que o passageiro fosse bem vestido, evitando calça jeans,
tênis e todas essas indumentárias que tenho no guarda-roupa.
Por incrível que pareça, calça e camisas sociais
não existiam na minha gaveta, minha roupa mais chique era a camiseta
da Abertura de Temporada de Montanhismo de 2007, e assim, elegantes
e cheirosos, dia 8 de outubro, às 5 h da tarde, fizemos
o check-in no Galeão, com o dólar batendo na
casa dos R$ 2,45! Ainda tivemos que pagar uma taxa de embarque no valor
de R$ 58 (Out 2008).
Sem
contar as passagens, US$ 680, e compras de equipamentos extras, lembrancinhas
e presentes, cada um de nós gastou menos de US$ 400,
com aluguel do carro por um dia - já que pegamos o da Simone
emprestado depois -, gasolina, comida, hospedagem – lembrando
que ficamos alguns dias como hóspedes com Simone também
-, banhos em Yosemite, entrada no Parque, reposição de
um friend que perdemos e plastificação dos croquis. Saiu
barato! :)
Cada
um despachou uma única mochila, a minha tinha cerca de 17 Kg.
Na ida para os EUA temos direito a despachar
até dois volumes com no máximo 23 Kg cada um, na volta
de lá a cota aumenta para 32 Kg, sendo que as
dimensões não podem ultrapassar os 157 cm, somando-se
altura, largura e comprimento.
Ao
preparar suas malas, identifique-as com nome, telefone e endereço
de destino, se não o fizer terá que perder
um tempinho escrevendo esses dados na hora do check-in.
Leve
anotado o endereço e telefone de contato de onde você ficará,
essa informação será solicitada também durante
o check-in.
Simone
nos deu um apoio que não tenho palavras para agradecer,
ela voou por 12 h até o Brasil, só para nos acompanhar
e foi essencial para que chegássemos sem maiores problemas ao
nosso destino. Bagagens despachadas, fizemos uma hora no aeroporto e
o avião decolou para Houston por volta das 19 h,
escala em São Paulo e decolagem novamente, alguns minutos depois
uma comissário de bordo veio até mim e:
-
Sr. Claudney, por favor, queira me acompanhar com sua bagagem de mão!
Só
pensei o que tinha feito de errado...
Fui
levado até a primeira classe, juntamente com Guilherme e Simone
:) Opções de frutos do mar, comida vegetariana,
vinho, cerveja, toalhinha morna para fazer a higiene das mãos
e rosto, além de todos os confortos proporcionados a
quem pode pagar ou quem somente conhece as pessoas certas :)
Leve
caneta na bagagem de mão, você precisará
para preencher os papéis de imigração ainda no
avião e declaração de bens comprados na volta.
Amanhecemos
em Houston e começou a Via Crucis, vôos lotados,
tentamos inicialmente ir direto para Orange County, o aeroporto mais
próximo da casa da Simone, onde ficaríamos, LOTADO. Tentamos
depois ir para Los Angeles no vôo da 10:55 h, LOTADO e finalmente
arrumamos três vagas às 12:30 h em outra tentativa para
Los Angeles. Desembarcamos, alugamos um carro, na verdade quase
um caminhão, o bicho era um Dodge que pegamos por falta de opção,
pois todos os carros menores estavam alugados. Guilherme deu uma volta
no pátio para experimentar o câmbio automático e
partimos para pegar as bagagens em Orange County, para
onde foram enviadas inicialmente, de lá fizemos uma parada para
deixar alguns dólares em uma loja da REI.
Lembrei das excursões de criança para a Disneylândia
:) Paraíso pra quem gosta desses brinquedinhos, que lá
custam muito barato.
Para
pegar um carro lá fora você precisa de uma Permissão
Internacional para Dirigir (PID) conseguida junto
ao DETRAN do seu estado.
Instinto
capitalista satisfeito, continuamos a viagem, mais de 24 h depois
após deixar o Rio de Janeiro, chegamos na casa da Simone, em
Laguna Hills, conheci o Richard, marido dela,
camarada super gente boa, que nos recebeu bem demais. Apresentações
feitas, partimos para as compras dos mantimentos, pouca coisa, pois
Simone já tinha comprado quase tudo, uma verdadeira equipe de
apoio, gastamos mais alguns dólares e fomos desfazer as caixas
dos equipamentos que já tinham sido despachados para lá,
uma delícia ver os equipos novinhos, sabendo que logo seriam
usados, e muito :) Deixamos as mochilas já arrumadas
para o dia seguinte e fomos dormir por volta de meia-noite,
com a diferença de fuso horário, umas 4 h da manhã
por aqui.
Amanhece
na Califórnia. Fomos devolver o carro alugado e abastecer o Mazda
em que iríamos, emprestado pela Simone. Ela partiu de
lá para entregar minha câmera fotográfica à
assistência técnica, que chegou novinha e não funcionou
:( Nós, finalmente, pegamos a estrada rumo à Yosemite,
com o GPS do Bernardo à bordo indicando que deveríamos
seguir pela Interestadual 5 North, e assim fizemos, em meio a uma paisagem
desértica e debaixo de um sol pra cada pessoa. Dirigir nessa
região é muito fácil, são loooongas estradas
bem sinalizadas que cortam o estado inteiro, saímos da 5 e entramos
na 99 indo para Bakersfield e dessa passamos para a 41 em direção
à Fresno, cidade onde fica o aeroporto mais próximo
do Parque, e para onde saem vôos regulares aqui do Brasil,
outra boa opção é voar até São Francisco,
para de lá rodar até o Parque, escolhemos Los Angeles
como base pela proximidade da casa da Simone, nosso apoio.
Clique
nas fotos para ampliar
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Nosso
guia |
Rasgando
o deserto |
O
galão de gasolina estava sendo vendido, em média, por
US$ 3,40. Um galão corresponde a, aproximadamente,
3,8 litros.
Nosso
carro só tinha rádio e toca-fitas, mas a
trilha sonora não poderia ser melhor, na ida sintonizamos na
FM 101.3, onde rola um rock in roll do bom. Na volta as escolhidas foram
a 104.1 e 107.3, todas no mesmo estilo.
Próximo
a Fresno já avistamos as primeiras placas indicando a direção
de Yosemite, alegria total :) Em menos de seis horas de viagem
a partir de Laguna Hills, chegamos à entrada do Parque,
pagamos os US$ 20 pelo Private Family Auto, como eles chamam lá,
que é a taxa por carro, não importando o número
de ocupantes. Era dia 10, tínhamos permissão para passar
sete dias no Parque, sendo que já estávamos no final da
tarde do primeiro :( O guarda nos deu o ticket indicando nossa data
limite e um mapa do Parque, passamos a guarita e dobramos à esquerda,
com destino ao Camp 4, o escolhido para nossa estadia.
Continuamos
na estrada, já entre os pinheiros, e tivemos a primeira
visão do El Capitan, sensação muito boa
de estar ali, tudo parecia meio surreal. Depois de fotos e vídeos,
entramos novamente no carro e fomos procurar o camping, tradicional
destino da maioria dos escaladores que passam alguma temporada em Yosemite.
Além dessa vantagem de intercâmbio com outras pessoas que
estariam ali com o mesmo objetivo, o Camp 4 tem outra vantagem,
não precisa de reservas, é "first come, first serve",
ou seja, quem chegar primeiro pega a vaga, mas que pode ser um inconveniente,
e pra nós foi :( Estacionamos o carro e já avistamos uma
placa escrita “Camp Full”, a neve que começou
a cair tímida quando entrávamos no Parque ficou mais intensa,
levando a temperatura pra baixo. E agora?... Não tínhamos
reservas em lugar nenhum e o único camping com que contávamos
estava lotado.
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Flocos
de neve na entrada do Parque |
Primeira
visão do El Capitan |
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Camp
full embaixo de neve :( |
Olha
o mapa e bôra |
Ao
lado da placa indicando a lotação, havia outra sugerindo
que procurássemos vaga no Crane Flat, e assim
fizemos, saímos à procura do lugar, paramos em um posto
de combustível e Guilherme perguntou para um cara por lá
onde ficava esse bendito camping, nisso surge nossa salvação,
Kit, uma americana, escaladora, com seus 55 anos de pura simpatia,
que chega pro Guilherme e diz:
-
Eu estou nesse camping, se quiserem, vocês podem me seguir.
Sorriso
-
Só que lá também tá lotado.
Tristeza
-
Mas vocês podem ocupar parte do espaço onde estou!
Uhuuuuu!
A
mulher nunca tinha nos visto, mas nos salvou de uma noite estupidamente
gelada sem um lugar para dormir.
A
seguimos e conhecemos seu filho, Greg, outra figura
super gente boa. Montamos a barraca e guardamos toda a comida
no canister, uma espécie de caixa de metal anti-urso,
essa é uma das principais preocupações em toda
a área, os ataques de ursos, que podem destruir barracas e carros
que possuam em seu interior comida ou algum cheiro agradável
a eles. Sem falar que, se isso acontecer, o feliz proprietário
ainda terá que pagar uma multa de US$ 5.000,
depois desses argumentos achamos melhor acreditar e guardar tudo na
caixa de metal.
Enquanto
fazíamos o jantar, Kit e Greg se aqueciam ao redor da fogueira,
que lá é permitida, desde que feita em um círculo
de metal ou rochas já preparadas pra esse fim. Macarrão
nos pratos, conversamos noite adentro, enquanto a lenha durou. Foi
a noite mais fria da semana, -5 ºC na madrugada, nossos
sacos de dormir tropicais não suportaram bem e algum sofrimento
foi inevitável à quase 2.000 m de altitude, mas a noite
passou.
Falar
inglês, pelo menos o básico, é essencial.
Meu vocabulário dessa língua deve ter umas 30 palavras,
Guilherme já fala bem e foi quem desenrolou as situações
desde que chegamos.
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