Venezuela | Escaladas secas e molhadas | Rio Caminhadas.com.br

Venezuela | Escaladas secas e molhadas

Fotos/Vídeos: Claudio Pereira, Francisco, Isabel, Marcia Shimamoto, Claudney Neves

Esta viagem fechou a trilogia do Natal, depois de ArgentinaBolíviaClaudio e eu já estávamos confirmados. Marcia nos faria companhia. Foi convencida por minhas promessas de escaladas em lugares exóticos e psicoblocs no Mar do Caribe 😉

Uma amiga já havia viajado para a Venezuela – Alice –, foi com ela que peguei alguns contatos. Um do Alexis, venezuelano que mora no Brasil, outro do Francisco, esse mora em Puerto la Cruz, e é o cara que conhece os psicoblocs que prometi para a Marcia.

Depois de Caracas, nossa idéia inicial era ir para Mérida – uma cidadezinha famosa pela beleza das paisagens –, mas, após conversar com o Aléxis, descobri que o lugar tá mais para alta montanha que para escalada em rocha. Mudamos o rumo para Miraflores, um fim de mundo espetacular, falo dele depois 😉 Mas antes de Miraflores passaríamos por Puerto la Cruz – eu tinha uma dívida :).

Achar informações sobre escaladas na Venezuela não é tão difícil, só falta ser melhor organizada. Alexis indicou o site da Rock Climbing, onde encontrei alguns traçados de vias em Caracas. Também recebi dele alguns croquis Miraflores, olha aqui. Em Puerto la Cruz seríamos guiados pelo Francisco. Fechou!

Hospedagem. Esse é um item caro na Venezuela. Geralmente, em nossas viagens reservamos pelo Hostel Bookers, mas em Caracas não mostrava nada padrão escalador, só haviam preços estratosféricos. Apelei para o meu Guia Criativo para o Viajante Independente e selecionei dois albergues, o Harmony e o Nuestro Hotel. Enviei e-mails para os dois, nenhum respondeu. Liguei pra lá. No primeiro, a diária para três pessoas passava dos 200 bolívares fuertes (BF) – a nova moeda deles. Achei caro. No segundo, 140. Meu número. Reservei.

Não é preciso passaporte para entrar na Venezuela, mas levamos os nossos para colecionar mais um carimbo 😉 É possível entrar no país só com a identidade.

Passagens compradas, dólares trocados (400) – lá é bem melhor levar a moeda do Obama –, roteiro pronto, albergue reservado. Voamos.

Era um 12 de março (2010). Marcia e eu saímos daqui com o tempo meio esquisito. Claudio viajaria no dia seguinte. 40 minutos até São Paulo + 5h30 até a terra de Chávez, onde um calor infernal nos abraçou. Trocamos 100 dólares para pegar o táxi e gastar nas primeiras despesas. Na casa de câmbio do aeroporto cada dólar valia um pouco mais de 4 bolívares. Na mão dos cambistas trocamos por 5. Claudio, quando chegou, ainda aguardando a mala na esteira de bagagem, achou, também com cambistas, por 6.

O aeroporto fica em Maiquetía, quase à 30 Km de Caracas. Rachamos um táxi por 150 bolívares e, depois de conhecer o caótico trânsito da Capital, algumas horas depois, chegamos ao Nuestro Hotel. Banho, self-service no shopping, sorvete e voltamos para conhecer de verdade a gente mal-humorada responsável pelo albergue. O lugar é barato, mas o povo de lá não é nada gentil. O quarto onde ficamos na primeira noite se resumia a um colchão sobre uma cama de concreto, com um espelho de parede na altura desse colchão, um ventilador de cabeceira e um banheiro onde o chuveiro não passava de um cano. Mas era barato 🙂

 

13 Mar – Sábado

Acordamos na hora que acordamos 🙂 Ficamos por ali até umas 10h da manhã e, finalmente, saímos. Pegamos o metrô – que custa um merreca – na estação Plaza Venezuela, descemos na estação Altamira, tomamos um metrobus, desembarcamos na Plaza las Américas e subimos em um jeep até o Parque Nacional Cuevas Del Indio – Ufa! -, também conhecido como La Guairita. Conversamos com os guardas na cancela e entramos para as paredes mais próximas, já lotadas 🙁 Colhemos mais algumas informações com os escaladores que estavam entulhando as vias e encontramos duas interessantes ali perto, logo depois do quiosque. A primeira onde entrei foi um 5.8 ao lado de uma árvore. Bem legalzinha. Marcia entrou depois e se apaixonou pela árvore 🙂 À esquerda havia outra, talvez um 5.10. Essa foi trabalhosa. Suei um pouco no calcário liso deles. Marcinha não quis. Voltamos para a parede onde havíamos estado mais cedo e subi com a menina em um 5.7. Emendei em outra via com um teto gostosinho e encerramos o dia.

 

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La Guairita, no caminho para o cemitério

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Pé na mão e vai

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Chegando ao teto

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Chiquitita a caminho dele

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E conversando com o bicho

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Tadiiiiiinha

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Uma nativa em um 5.9

 

Fizemos todo o trajeto de volta para o hostel e, de cara, tomamos um esporro da mulher que nos atendia. Perguntou porque havíamos deixado tudo desarrumado no quarto, já que sabíamos que mais um chegaria. Ficamos ocupando dois quartos, mas ela mesma teria levado nossa bagagem para o quarto para três pessoas, blá, blá, blá, blá… Enfim, povo gentil. Encontramos Claudio, que comentou sobre o carão que também tinha levado da dita cuja. Ele nos contou que do aeroporto internacional foi para o nacional, que fica ao lado, pegou um ônibus por 18 BF + metrô + táxi para chegar ali, todo o trajeto saiu por algo em torno de 40 BF. Saímos para jantar. Não queríamos comer novamente a comida plastificada do shopping. Rodamos pela vizinhança e passamos em frente ao Hotel Meliá, um negócio cinco estrelas que dá até medo de tão chique. Daí Claudio tem a brilhante idéia de comermos ali:

– Cara, a diária é cara, mas o restaurante nem é tanto.

– Tem certeza?

– Bôra lá…

– Bôra.

Marcinha já tinha trocado de roupa após a escalada. Claudio tinha tomado banho. Eu parecia um mendigo, de chinela havaiana, barba por fazer e com aquele cheirinho pós-escalada peculiar. Quando fomos entrar, o porteiro pergunta, olhando pra mim, se estávamos todos juntos 🙂 Ainda bem que eles falaram “sim”. Entramos em um elevador dourado e subimos até o andar do restaurante, Claudio viu os preços, achei caro, desistimos. Quando estávamos saindo, parece que todos pensaram ao mesmo tempo, fazendo as conversões… Éééé, não é caro, não!!! Vamos voltar! Cada prato custava, em média, 80 BF, tava era barato demais.

Era cada nome de prato que ocupava quase uma folha inteira. Claudio pediu uma pizza, Marcia um prato bonito de olhar e eu uns lagostinos. O garçom demorava pra atender, mas valeu à pena. Depois de encher o bucho, voltamos à realidade e para o nababesco Nuestro Hotel. Onde faltou água quando decidimos tomar banho 🙁 Fala com esse, fala com aquele, fala com aquele outro… “Como não tem água??? Claro que tem!!! Espera uma meia hora que chega!!!” O problema era que, ao encher a descarga, não havia pressão suficiente, daí a água não chegava ao chuveiro. Aguardamos e não é que a água chegou! O sono também, sob gargalhadas e falatório de besteiras…

 

14 Mar – Domingo

Nessa manhã não houve morgação como na anterior. Acordamos cedo e partimos para o Terminal Oriente. Compraríamos as passagens para nossa próxima parada, Puerto la Cruz. Antes disso, procuramos um lugar para tomar café, não havia uma porta aberta nas redondezas. No espetacular Nuestro Hotel não servem café da manhã. Seguimos no jejum para purificar o corpo!

Usamos o metrô novamente e descemos na estação Petare, de lá, pagamos 30 BF por um táxi até nosso destino. Chegando nessa rodoviária, liguei para Francisco, nosso contato em Puerto la Cruz. Não estava. Falei com sua irmã, Isabel, uma figuraça, gente boa demais. Esta nos orientou a chegarmos durante o dia. Compramos as passagens para às 23 h. Desde Caracas são cerca de cinco horas de viagem. Do Terminal Oriente, pegamos outro táxi até a Guairita (60 BF). Voltamos na parede popular. Claudio entrou no teto que Marcinha e eu havíamos feito no sábado. Ela conversou com o dito cujo – teto – e, mais uma vez não se entenderam. Mas fez bonito 😉 Depois fomos para o setor chamado Titanic. Brincamos na Cuartico De Leche (5.10a)Encuentro Con Chávez (5.10c) La Regresión (5.10d). Fizemos alguns amigos. Entre eles estavam Luiz e Mauricio, que nos levaram até a estação La Califórnia, onde pegamos o metrô para a Plaza Venezuela e fomos andando até o estonteante Nuestro Hotel. Lá chegando, resgatamos nossas mochilas, que estavam no guarda-volume, e fomos tomar banho em um quarto estrategicamente localizado na garagem. Pelo qual teríamos que pagar 10 BF, o que não havia sido combinado antes. Pela conversa que tivemos de manhã, o banho seria cortesia. Marcinha comprou uma garrafa de água, na qual o miserável cobrou 6 BF. A mesma garrafa pela manhã havia custado 5 BF. Lembrei do caso da barra de ferro que aconteceu na Bolívia. Mas antes do caso se repetir, Marcinha soltou um “Não vou pagar nada pelo banho. Vamos embora daqui!”. Aí fomos 🙂 Pegamos um táxi até o Terminal Oriente (70 BF). Só depois descobrimos que à uma estação do metrô dali havia um terminal de onde também era possível pegar um ônibus para Puerto la Cruz 🙁 Tomamos um chá de cadeira e um pouco antes das 23 h embarcamos. Às 4 h da manhã estávamos no terminal de Puerto la Cruz. Aguardamos na sala de espera até ouvirmos um “Climbers, climbers!”. Isabel havia nos encontrado. Seguimos para a casa dela, onde cochilamos…

 

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Claudio em um negócio bruto

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Amando a rocha

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Passei não, bruto mesmo

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Ói eu aqui, rapá. Cai não!

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