Imagine um paredão de arenito com 2 Km de extensão, cerca de 150 m de altura, com mais de 300 vias, quase todas sem proteção fixa, diedros, fendas, lacas, buracos e tudo mais que um escalador fissurado em móveis adora. Há um lugar assim em uma cidade que fica à 2.600 m de altitude e cerca de 60 Km de Bogotá, essa cidade chama-se Suesca.
Quando retornamos de Los Gigantes em 2007, Miriam nos falou desse lugar, logo depois me apresentou a uma amiga que escalou por lá, o que serviu para atiçar ainda mais a curiosidade. Muito meses passaram e, após algumas viagens, Amanda entrou em férias, dizendo que queria viajar para algum lugar distante. Entrei no site da Gol e comecei a vasculhar a caixa onde estava escrito “Destino”, quando li Bogotá, decidi para onde iríamos. Liguei para ela e avisei para colocar alguns casacos a mais na mochila :)
Comecei a procurar informações sobre escaladas em Suesca, encontrei alguns sites, mas nada tão completo quanto esperava, os mais interessantes foram o da Monodedo, do Waldemar Niclevicz, e um relato do Leandro, que passou uma temporada na Colômbia e hoje mora em São Paulo. Troquei algumas mensagens com ele, que esclareceu as dúvidas que tinha a respeito do lugar e também me apresentou, via MSN, ao Harold, um amigo colombiano, que praticamente mora em Suesca nos finais de semana. Resumindo a história: Harold nos encontraria no aeroporto de Bogotá, nos levaria à Suesca e ficaríamos em uma casa que ele aluga com alguns amigos na cidade, muito próximo da área de escalada, um pouco mais de 1 Km.
Embarcamos dia 6 de março (2009), passaríamos nove dias na Colômbia.
Não é necessário visto, mas passaporte é obrigatório para a viagem.
Bogotá tem 2 h a menos de fuso-horário.
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Encontramos duas casas de câmbio no aeroporto, a que fica mais próxima do desembarque tem uma pior cotação, trocamos os dólares em outra, próxima ao embarque.
US$ 1 = 2.250 pesos / R$ 1 = 850 pesos / Cotação no Brasil: US$ 1 = R$ 2,38. Leandro falou que dólares seriam mais valorizados, estava certo, levamos dólares daqui e trocamos por peso lá.
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Levei US$ 130 para todas as despesas, sobraram cerca de US$ 15.
Tanto na capital, quanto em Suesca, os dias, geralmente, são bem quentes e o sol queima de verdade sem você sentir, não esqueça o protetor solar. A partir do final da tarde e em muitas vias na sombra faz frio e venta, usar uma segunda-pele e deixar o anorak na mochila é recomendável. Agasalhos mais pesados são necessários para passar a noite na cidade.
Aterrisamos às 15 h em Bogotá. Amanda perguntou se Harold estava ali na frente do aeroporto, quando saímos, falei que não sabia, não tinha visto nenhuma foto dele :) Logo depois ouvi alguém chamando meu nome, era ele. Fomos à casa de câmbio, trocamos o dinheiro e pegamos o primeiro ônibus (1.200 pesos) até um terminal onde tomaríamos outro para Suesca, antes fomos conhecer um barzinho colombiano, experimentamos a cerveja deles e algumas empanadas. Depois de muita conversa, caminhamos até uma estação do Transmilênio, um sistema de ônibus parecido com o de Curitiba, pegamos outro ônibus até o Portal Del Norte (1.300 pesos), uma espécie de estação final, onde subimos no autobus da empresa Alianza, para nosso destino (5.300 pesos).
Os ônibus saem de Bogotá a partir das 5 h da manhã, a cada hora, até às 21 h. Para voltar à capital acontece o mesmo, sendo que o último parte de Suesca às 19h15min. Os 60 Km até lá são vencidos em cerca de uma hora, rapidim :)
Em Suesca, o ponto final dos ônibus fica onde eles chamam de Pueblo, descemos antes de cruzarmos a ponte da cidade, em frente à Virgen de Casicazgo, uma imagem que fica à beira do asfalto, do lado oposto a uma estrada de terra, cinco minutos depois estávamos em nosso abrigo.
Não vi locais para hospedagem na cidade, apenas um camping estrategicamente posicionado em frente ao Farallón, como é chamado o paredão com as vias. Há duas trilhas para descer do Farallón, uma vai direto para a cidade e a outra desce exatamente em frente a este camping. Depois que cheguei ao Brasil, o Gabriel, através da lista da FEMERJ, indicou um hostel lá, chamado Vivac. A proprietária é uma escaladora chamada Kathy Guzman.
Amanda eu pagamos, cada um, 60.000 pesos por 8 dias de hospedagem na casa alugada por Harold e amigos.
Descarregamos as bagagens e fomos fazer algumas compras para comermos nos dias seguintes. A noite foi barulhenta, haviam algumas visitas na casa que dormiram tarde :) Mas nada que impedisse o sono cansado de um dia de viagem.