Mensagem recebida!
Folga 6, 7 e 8. Para onde vamos? Ou 17, 18, 19, 20. Bjs
De: Amanda
Recebida: Sex 23:12 30/01/09
Serra Caiada foi minha resposta, desde que fomos para a Pedra da Boca, o Rio Grande do Norte ficou como primeira opção em um próximo destino no nordeste.
Antes de receber a mensagem da Amanda, li um e-mail na lista da Federação do Ceará sobre o recém-criado abrigo em Serra Caiada, foi um sinal :) Abri um tópico lá e o Marlon me respondeu. Contato feito, acertamos detalhes e confirmei nosso vôo. Chegaríamos em Natal na madrugada de quinta para sexta e passaríamos o período da primeira opção que Amanda colocou na mensagem.
Na véspera da viagem, recebo outra mensagem da menina, falando que estava com problemas para viajar sem o namorado, e, no dia que partiríamos, ela achou melhor ficar. Fui só.
As emoções da viagem começaram cedo. No trajeto entre minha casa e o aeroporto o ônibus teve que mudar o itinerário, devido a um tiroteio, foi um tal de se joga no chão, gente dando ataque e eu doido pra chegar logo no sertão e esquecer dessas alegorias da cidade grande...
Desembarquei em Natal por volta de 1 h da madrugada. Marlon, Fabiano e Denn me aguardavam com uma placa onde li Claudney Neves :) Nos acomodamos no Uno atolado de material, uma hora depois estávamos em Serra Caiada, distante 70 Km. Esvaziamos o carro e todos apagaram.
O abrigo, pintado de verde-limão, ou casa de apoio, como eles preferem chamar, fica na Av. Levi Lins, 127, Bairro da Saudade, ao lado do Mercadinho Padre Cícero, conta com dois quartos, banheiro, cozinha e vários armadores em todos os cômodos para quem prefere dormir em rede, meu caso :) Em frente ao abrigo há uma padaria, destino de todas as manhãs para o café. Os que não conseguem se desconectar, encontram à 30 m dali uma lan house. A rodoviária fica a uns 500 m e a base das vias à 1,5 Km.
Se não conseguir uma carona, o esquema para ir de ônibus é o seguinte: ao desembarcar em Natal, você deve caminhar, ou pegar um táxi, até a avenida que passa em frente ao aeroporto, cerca de 500 m, pegar o ônibus ou vans que fazem o percurso até Serra Caiada (R$ 7), descer na rodoviária e de lá andar mais uns 500 m até o abrigo ou pegar uma moto-táxi. Para voltar o percurso é exatamente o inverso, rodoviária de Serra Caiada, desce na avenida em frente ao aeroporto e caminha os 500 m até o embarque.
Acordei com o sol das 7 h da manhã queimando tudo. Café rápido e fomos para a Serra. A trilha é mínima, chega-se muito rápido à parede. A rocha é o gnaisse, que proporciona ótimos regletes, diferente de outros locais do nordeste, onde é mais comum encontrarmos cristaleiras. Entrei com Denn na Malu de Andrade (3º IV sup), tranquilinha, enquanto Marlon guiava Fabiano na Gênesis (3º III sup). Minha cordada chegou ao cume e fomos para a face sul, entramos na Belerofonte (4º VI), essa já mais forte, voei algumas vezes para vencer o crux que fica bem na saída, feito para quem tem mais de 1,60 m :) Denn foi logo depois e ao chegarmos ao cume, descemos por uma trilha rápida, até onde deveria estar o carro... Marlon e Fabiano tinham nos deixado para buscar água, o sol estava realmente estúpido. Desistimos de esperar e fomos caminhando, fizemos uma parada na casa de um morador para completar nossa garrafa, que estava com uma pedra de gelo “inderretível”, mesmo com o calor que fazia. Ao sairmos da casa, vimos o Uno chegando à Serra novamente, voltamos, e de lá para a sombra do abrigo.
Menger apareceu para bater um papo, ele foi um dos dinossauros que começaram a história de escalar em Serra Caiada, hoje é o secretário de turismo da cidade e tem planos para fazer um abrigo no pé da pedra, no terreno que é hoje usado como estacionamento.
Fomos almoçar ao lado da rodoviária, segundo o pessoal local é onde se come melhor na cidade. Aguardamos o sol baixar, com planos de voltar para a rocha ainda. Fabiano e Marlon não se empolgaram e Denn sentiu o braço depois de ser espancado também pela Belerofonte. Passamos a tarde assistindo filmes da vasta videoteca existente no abrigo :)
A noite terminou para eles em um forró e em uma rede para mim, já tava com umas 3 noites de sono atrasado, desmaiei.
A manhã trouxe caras novas, Pablo e Dante apareceram, seguimos mais cedo nesse dia para a rocha. Como o sol acordou mais cedo ainda, decidimos brincar nas falésias sombreadas da Serra, Dante entrou na Adios Amigos (VIIIa), costurou dois grampos e desceu, subi, costurei mais dois e desci, a partir daí a via fica bruta, depois de vários vôos, ninguém conseguiu passar, o preço da sombra. Marlon, Fabiano e mais um grupo que chegou depois ficaram malhando até que todos estavam sem dedos, desmontamos o top quando a sombra chegou à face norte. Entrei com Dante e Pablo na Los Manos (3º V sup), uma viazinha interessante com regletes e algumas passadas delicadas. Rapelamos pela Gênesis.
Quando descemos as bases da Quinto Elemento (VIIa) e Tião Gavião (V) estava lotadas, Menger montou o top-rope nas duas. Entrei na primeira, pura pressão, atlética, mas com pontos de descanso, uma das melhores que fiz lá. Depois experimentei a segunda, tranqüila, que é 5º grau até onde estava montado o top, a partir da virada de uma barriga a coisa fica bruta, segundo os comentários só dois escaladores conseguiram mandar até hoje.
Uma coisa curiosa acontece na Serra, onde há escaladores, há moscas, e os calangos de lá sabem disso, quem fica na base é protegido pelos bichos, que ficam dando botes na refeição e limpando o ambiente :)
A noite foi chegando e nós começamos a desequipar, ainda parei com Dante para assistir Tarcísio e Juan tentando a Tiranovaca (V). A lua cheia nos guiou até os carros e de lá para o abrigo. Antes passei na casa de Menger e filei o jantar, de lá a turma destruiu alguns pratos de picado com batata e uma pizza. O resto da noite foi extremamente exótica, viramos abóbora no Acapulco Clube e a conversa rendeu madrugada a dentro nas cadeiras da calçada do abrigo.
A conta, para uma pessoa:
- Transporte e estadia: R$ 40, o gasto com transporte se resumiu ao combustível do Uno. A diária no abrigo custa R$ 5, comida não incluída, por esse preço também, né :)
- Alimentação: R$ 46,70, o PF em Serra Caiada custou R$ 6, o resto da conta incluiu bebidas e uma refeição muuuuito cara no aeroporto de Natal, paguei R$ 26,70 em um self-service.
TOTAL: R$ 86,70
Acordei na última manhã de escalada com Ari me chamando, agoniado pra ir logo pra rocha, e fomos. A seqüência foi diliça, comecei com a Grampeleta (VI), passando depois por Tiranovaca (V), Formiga Cotó (IV), Formiga Nanica (V sup) e penei no início da Formiga Atômica (VIIa), acabei todo quebrado :) Nesse meio tempo a Serra foi invadida, muita gente chegando e ocupando seus lugares. Infelizmente meu tempo acabou e tive que partir, Marlon me levaria até o aeroporto, em mais uma carona. Quando estava descendo para o carro, senti falta do meu saco de magnésio, que tinha emprestado para uma menina, ela desligou e levou minha propriedade para a área das falésias. Pablo sugeriu que voltássemos para pegar, de início não tava muito a fim, mas depois da instigada, puxei a contagem e fomos correndo resgatar o refém. Marlon marcou 8min41seg para que o grupo com Fabiano, Pablo e eu voltássemos. Missão cumprida, partimos! Arrumei a mochila, banho e uma hora até Natal. Agradeci pelo apoio de todos e o final de semana perfeito. Aproveito para fazer isso aqui também, galera, você foram demais, valeu mesmo!
Depois que cheguei ao Rio de Janeiro, o Ari me enviou alguns croquis da Serra, clique aqui para baixá-los e ter uma amostra do que vai encontrar por lá.
A viagem até o Rio foi rápida, com uma escala em Salvador e a receptiva chuva na capital carioca, comum nessa época do ano. Cheguei em casa já pensando em outros destinos, paisagens maravilhosas, gente acolhedora e culturas diferentes, tudo pelo que vale à pena viajar.
Créditos
Texto/ Edição de Vídeo: Claudney Neves
Fotos/ Vídeos: Marlon Aronson, Menina do Saco de Magnésio, Claudney Neves