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DIA - RUMO AO SERTÃO
O primeiro
ônibus de Fortaleza para Quixadá parte às 6h da
manhã, chegamos meia hora antes e já estava lotado,
Magoo e eu ficamos perambulando entre casas de amigos e padarias,
destruímos algumas tapiócas e partimos às 8h.
Quixadá fica a 167 Km da capital,
a passagem de ônibus custou um pouco mais de R$ 15 e a viagem
foi mais agradável do que imaginei, a paisagem seca muitas
vezes é substituída por plantações sem
fim de caju.
Chegamos ao destino por volta de 11h
e seguimos para a casa do Jorginho, escalador local que fabrica muito
do que precisa para conquistar, grampos P, chapeletas e até
cliffs.
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nas fotos para ampliar
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Fabricação
própria |
Açude
do Cedro com Pedra da Galinha Choca ao fundo |
Fomos
muito
bem recebidos pelo próprio Jorginho e família, que nos
convidaram para almoçar, mas naquela hora só pensávamos
em escalar. Tomamos um suco de graviola e alguns pedaços de
bolo na cidade, subimos nas moto-táxi e seguimos para o Açude
do Cedro, situado a 5 Km do centro de Quixadá. O Cedro foi
o primeiro açude construído no Nordeste, ainda na época
do 2º Império, após uma grande seca que assolou
a região. Hoje é tombado pelo IPHAN.
Chegamos
lá e fizemos um pequena trilha até a base da Clara (4º
V) em uma rocha próxima à Galinha Choca, com uma sombra
maravilhosa, que àquela hora caiu muito bem. Magoo guiou a
primeira enfiada e eu a segunda, o granito de Quixadá é
cravejado de cristais, que sempre te olham dizendo "Eu vou quebrar,
heim!". Lá de cima tive a primeira idéia da quantidade
de monólitos que há na região, parece com uma
plantação de rochas, é um verdadeiro mundo de
pedra. O que começou a me chamar a atenção foi
o pequeno número de vias nas pedras da cidade, como exemplo
a que tínhamos acabado de subir, um paredão lindo, em
pleno verão, na sombra e com apenas uma via. Depois soube das
dificuldades de conquistar uma via na região, os poucos conquistadores
bancam a compra de todos os grampos e chapeletas, assim como os de
Fortaleza, que além disso ainda têm despesas com o deslocamento,
alimentação e, algumas vezes, estadia, quando a casa
do Jorginho fica cheia :).
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Placas
indicativas da trilha |
Boulder
da Pedra Lascada, às margens do Cedro |
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Paredão
da Clara |
Vista
do topo |
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Fim
de tarde na Galinha Choca |
Descemos
do topo por trilha e começamos a caminhada até a cidade,
a pé mesmo, já que não encontramos nenhum bendito
moto-táxi. Depois de algum tempo de caminhada, surgiu um caminhão
pipa, dirigido por um conhecido do Magoo, que nos poupou tempo, pernas
e nos deixou bem próximo do nosso destino. Agradecemos e seguimos
para a casa do Jorginho, que nos aguardava para a segunda escalada
do dia, dessa vez noturna, WTC (3º IV), no Morro do Cruzeiro,
um monólito que fica no centro da cidade e onde é necessário
passar por quintais para chegar na base das vias.
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Jorginho
na primeira parada, Magoo e cabras na base |
Escalar
à noite é bem diferente, mesmo com a headlamp não
é tão simples quanto durante o dia, mas foi uma ótima
experiência, ainda mais depois da chegada ao topo, a cidade iluminada
é um espetáculo. Descemos pela trilha, paramos para mais
um suco, que decepcionou Magoo, um grande apreciador do cajá,
em falta na ocasião :). Seguimos para a casa do Jorginho, banho
e uma surpresa, estava acontecendo na cidade um encontro internacional
de trovadores e repentistas, seguimos para a praça central, esvaziamos
alguns pratos de baião-de-dois com camarão e fomos aproveitar
a festa. Nessa noite conheci o Milton, com quem escalei depois, e o
Kido, conquistador, guia e organizador de um projeto que visa alavancar
a multiplicação de vias em Quixadá.
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No
topo do Morro do Cruzeiro |
Quixadá
iluminada |
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Literatura
de Cordel |
Artesanato
local |
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