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O que é geocaching? E GPS?
Antes de iniciar
esta história, vou explicar alguns termos aqui usados. O primeiro
é GPS. O Sistema
de Posicionamento Global, vulgarmente
conhecido por GPS (do acrônimo do inglês Global Positioning
System), é um sistema de posicionamento por satélite,
utilizado para determinação da posição de
um receptor na superfície da Terra ou em órbita, ou seja,
com um aparelho de GPS você saberá onde está em
qualquer lugar do planeta ou em órbita :) O aparelhinho capta
o sinal dos satélites, faz a triangulação da sua
posição, e mostra exatamente onde você está
em forma de coordenadas ou através de um ponto no mapa, para
os aparelhos com essa função. Os
GPS de navegação mais modernos possuem precisão
de aproximadamente 4 m, há outros modelos, como os topográficos,
onde essa precisão vai para a casa dos centímetros, mas
essa é uma outra história.
Hoje
o GPS é útil em diversas áreas,
como na aviação geral e comercial e na navegação
marítima. Agrimensores diminuem custos e obtêm levantamentos
precisos mais rapidamente com o GPS. Guardas florestais, trabalhos de
prospecção e exploração de recursos naturais,
geólogos, arqueólogos, bombeiros, são enormemente
beneficiados pela tecnologia do sistema. O GPS tem sido cada vez mais
utilizado por ciclistas, balonistas, pescadores, ecoturistas
ou por leigos que queiram apenas planejar e se orientar durante suas
viagens. Com a popularização do GPS, um novo conceito
surgiu na agricultura: a agricultura de precisão. Uma máquina
agrícola dotada de receptor GPS armazena dados relativos à
produtividade em um cartão magnético que, tratados por
programa específico, produz um mapa de produtividade da lavoura.
As informações permitem também otimizar a aplicação
de corretivos e fertilizantes. Lavouras americanas e européias
já utilizam o processo. Qualquer pessoa que queira saber sua
posição, encontrar seu caminho para determinado local
(ou de volta ao ponto de partida), conhecer a velocidade e direção
de seu deslocamento ou sua altitude pode se beneficiar com o sistema.
Com
a popularização do GPS, hoje um aparelho razoável
custa menos de US$ 200, e com o fim da degradação proposital
do sinal dos satélites (que diminuía a precisão
para cerca de 20 m), feita pelo governo americano, proprietário
do sistema, surgiu o geocaching.
Geocaching
é um esporte (ou jogo, ou brincadeira, como querem alguns) ao
ar livre que envolve a utilização de um receptor de GPS
para encontrar um "geocache" (ou simplesmente "cache")
colocado em qualquer local do mundo. Em um cache tradicional, o geocacher
(nosso pirata moderno:)) coloca um livro de registos (logbook),
caneta ou lápis e os pequenos tesouros, em um container à
prova de água, e depois anota as coordenadas (latitude e longitude).
Estas, em conjunto com outras informações sobre o local
do esconderijo, são publicadas na Internet (http://www.geocaching.com/).
Os outros geocachers, os descobridores, lêem essa página
e, com receptores GPS, procuram-no. Quando o conseguem encontrar, registram
o achado na mesma página. Os Geocachers são livres para
colocar ou retirar objetos do cache, normalmente em troca de outros,
de modo a haver sempre alguma recordação para trazer.
 
Exemplos de caches
A
primeira colocação de um cache com auxílio de GPS
ocorreu em 3 de Maio de 2000 por Dave Ulmer. Três dias depois
havia sido encontrado duas vezes. O Geocaching tornou-se então
popular. Até julho de 2006 contava-se quase 300.000 caches em
222 países (só 66 no Brasil) e anunciados no site oficial.
Aquisição de satélites...
Comprei meu GPS
no final de 2005, para marcar as trilhas que faço
aqui no Rio de Janeiro e para uso urbano também.
Há sites que geram rotas e essas rotas podem ser enviadas para
o GPS. Por exemplo, se você quer ir da rua A, que fica no Méier,
até a rua B, que fica em Botafogo, basta digitar o nomes das
ruas
em um desses sites (http://www.guiamais.com.br/ruas/
é um deles) que é gerado um itinerário, basta jogar
estas informações no GPS e o aparelhinho indica o caminho
a seguir como “siga em frente por 100 m”, “Vire à
direita na próxima esquina”, “Chegando ao destino”
e assim por diante.
Mesmo antes de
ter o aparelho já conhecia o geocaching, mas nunca o tinha praticado.
Em uma noite de insônia em julho de 2006, navegando entre os sites
nos meus “favoritos”, voltei a visitar o http://www.geocaching.com/
e o http://www.geocachingbrasil.com.br/,
onde, para minha decepção, só havia dois caches
cadastrados no estado inteiro do Rio de Janeiro, um em Búzios
e outro em Niterói, disposto a começar a brincadeira de
verdade por aqui, fui à procura deste último.
Era a primeira
quinta-feira do mês de julho, consegui uma dispensa na parte da
tarde no meu trabalho e parti para Niterói. Ônibus até
a Praça XV, travessia de barca da Baía da Guanabara e
mais um ônibus até próximo do início da trilha,
que fica no final de um ladeirão, distante cerca de 1 Km a partir
de onde desci. Olhei para o relógio, já passava das 15
h, liguei meu brinquedinho e entrei no mato. Já conhecia a trilha
até o Alto Mourão (montanha onde está o tesouro),
a qual é preciso seguir até certo ponto, mas para encontrar
este cache você precisa abandoná-la em determinada altura,
aí começa a aventura de verdade :) Estava usando um GPS
Garmin 60CS, que possui suporte a mapas, já havia carregado para
o aparelho os mapas do Projeto TrackSource (http://www.tracksource.org.br/),
os quais ajudaram na localização do tesouro, mas mesmo
assim não foi tão fácil. Saí da trilha principal
e segui um vestígio de trilha, que em pouco tempo desapareceu,
daí em diante foi só eu e o GPS, que, para constar, não
perdeu sinal por um instante sequer, mesmo com a mata fechada. Aproximei
para o zoom máximo na página do mapa e após perambular
alguns minutos, achei o mirante citado na descrição, que
dizia o seguinte:
“Agora
está mais fácil !!! Em um Parque do Estado do Rio. Localizado
fora da trilha principal, cobertura das ávores pode dificultar
a rececpção. Visual fora de série. NÃO DESMATE
não há necessidade de cortar a vegetação.
NÃO DESMATE.
Não há necessidade de se cortar o mato da para andar por
entre a vegetação sem agredir a Mata. Em um parque alucinante,
você terá a oportunidade de achar 2 caches. No primeiro
você deverá localizar o mirante e uma vez nele, andar quatro
passos direção 50 graus NE; a partir de duas árvores
queimadas(Um incêndio atingiu a encosta do parque no ano retrasado)Ele
estará em uma vala entre 2 pedras.O segundo será o visual
que vc vai ver se conseguir achar o local. Um abraço !!!”
 
Aproximação
do cache e foto-prova do mirante
Realmente é
uma vista espetacular. Mais uma vez segui as pistas... 50º NE,
quatro passos e... BINGO! Uma fenda entre duas pedras, achei um pequeno
pote, dentro havia um chaveiro de crucifixo e um ticket refeição,
vencido em 2001 :) Peguei o chaveiro de crucifixo e deixei outra prenda
no lugar, claro! Tirei algumas fotos, recoloquei o pote entre as pedras
e comecei a caminhada de volta. Varei um pequeno trecho de mato e encontrei
o vestígio de trilha novamente, fiz o caminho de volta pela trilha
principal, feliz da vida com o achado do meu primeiro tesouro :)
 
Cache aberto
e GPS com a tela de satélites e do mapa
Gostei tanto da
brincadeira, que no domingo da mesma semana, preparei dois caches e
parti para um ponto turístico bem conhecido aqui no Rio. O primeiro
chama-se “Rio de Janeiro # 1”, coloquei uma pequena bandeira
do Brasil e alguns selos antigos, para chegar até ele é
preciso subir por uma trilha, já bastante freqüentada e,
ao chegar no colo entre duas montanhas, seguir por outra trilha, esta
quase abandonada. O cache está em uma abertura entre o solo e
uma pedra, na base de uma palmeira.
 
Vista do caminho
para o cache e o bichinho escondido
O
segundo cache chama-se “Na Padaria (RJ)”, este é
para aqueles que gostam de belos visuais e um pouco de aventura, mas
é preciso ir à caça com um bom calçado,
pois será preciso subir algumas rampas de pedra e terra. O acesso
se dá por uma pista de asfalto, com 1,3 Km de extensão,
onde no final há uma placa, avisando sobre o risco de passar
dali sem um guia, mas isso não deve ser motivo de preocupação,
a parte onde um se faz realmente necessário é bem depois
de onde o cache está escondido. O container está em uma
fissura na parede da pedra, em uma trilha adjacente, continha um chaveiro
e um brinquedo holográfico, voltei lá no final de julho
e duas pessoas já o tinham encontrado :) Deixaram seus depoimentos
e trocaram os presentes.
 
Vista da trilha
e o esconderijo do cache
 
Fotos do primeiro
encontro do cache, retiradas do site geocaching.com

Localização dos caches "Rio de Janeiro # 1" e
"Na Padaria (RJ)"
10 dias depois,
aproveitando as férias escolares da minha baixinha, levei-a para
uma ilha na Costa Verde do Rio de Janeiro, daí pensei, não
há local mais apropriado para esconder um tesouro que em uma
ilha :) Preparei o logbook, roubei um tupperware
da cozinha de casa e recheei-o com vários brindes. Na manhã
do dia 19 de julho, partimos para cumprir a missão :) Colocamos
o tesouro (apelidado de "Na Ilha do Tesouro (RJ)") na abertura
entre o solo e uma pedra, a cerca de 30 m de um mirante de fácil
acesso, perfeito para ser visitado em um final de tarde, ou pela manhã,
antes de cair nas águas transparentes deste paraíso.
 
Na ilha do tesouro
 
Escondendo o
cache
Estes e muito outros
caches estão com suas coordenadas disponíveis em http://www.geocaching.com/seek/nearest.aspx?country_id=34&x=8&y=7,
se você também achou a brincadeira interessante, participe,
como falei mais acima, um aparelho de GPS razoável custa cerca
de US$ 200, bem mais barato que muitos celulares. Além da utilidade
no dia-a-dia e do prazer de achar alguns tesouros, através do
geocaching é possível encontrar vários amigos,
conhecer belos lugares e sair da rotina, portanto, mexa-se, procure
seus caches e esconda outros.
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