El Chaltén | Acampando pela patagônia argentina

17 de abril | Quase nascer do sol na Laguna Los Tres

Acordamos às 6h30 e saímos às 7h, como o sol só nasceria às 8h36, achamos que seria suficiente para chegarmos à Laguna de Los Tres à tempo, não deu 🙁

Estávamos pesados, pois como falei, planejamos passar o dia inteiro no lugar.

O camping Poincenot fica próximo da laguna, mas a subida final é bem íngreme, cerca de 2 Km em uma inclinação cruel para quem está carregado.

Por volta de 8h30 avistamos o Fitz Roy já com a luz alaranjada do sol clareando sua face, mas ainda faltava um último trecho para caminhar, antes de chegar no melhor lugar para fotografar o espetáculo. Fizemos o que foi possível com o que tínhamos naquele horário, e até que não foi tão mau assim 😉

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Após o amanhecer, nuvens negras apareceram e ameaçaram nosso plano de passar o dia ali. Em alguns momentos o clima parecia se arrepender e o sol aparecia, mas em seguida mudava de opinião novamente e as nuvens pesadas cobriam tudo novamente.

Por volta das 15h cansamos dessa bipolaridade e decidimos retornar para o acampamento…

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A trilha de volta ofereceu um “quase banho” ao Careli e a mim em um riachinho no meio do caminho, onde deu pra lavar só o que interessava. Karla não estava preparada para esse tipo de atividade e fez a sua obrigação do dia na borda do acampamento, enquanto já rolavam os preparativos para a próxima refeição, macarrão à carbonara.

Careli teve dificuldade em cortar a gordura mais dura do bacon, mas a guardou para o futuro, quando foi bem útil

 

Mais sobre a comida…

Sim, é possível levar ovos crus sem quebrar. Saímos da cidade com 13 dentro da minha mochila, acondicionados na própria caixa e com esse conjunto enrolado em um casaco. Serviram para o café da manhã, mexidos, e no macarrão à carbonara.

Molho shoyo dá um gosto ótimo aos legumes refogados na manteiga, que em regiões de clima mais frio é possível levar em tabletes.

Carnes defumadas e salgadas são muito práticas, pois não estragam e são fáceis de preparar. É possível fritá-las antes para economizar gás e tempo.

O bacon (lá eles chamam de panceta) está incluído aqui, salaminho também.

Cogumelos são leves e produzem pratos saborosos, como esse aqui.

Frutas in natura podem ser pesadas, mas dão um gosto maravilhoso depois de alguns dias no mato.

Levar batata doce já cozida é um boa para economizar gás e ganhar mais energia durante as caminhadas. “Harmoniza” muito bem com salaminho 😀

As clássicas frutas secas e castanhas continuam valendo, leve!

Goma para tapioca pode substituir ou alternar com pão no café da manhã e lanches.

Uma garrafa térmica pode ser um conforto necessário no clima mais frio. Tomar um chá quente enquanto o sol ainda não nasceu é uma maravilha 😉

Pequenos potes são bem práticos para armazenar sal, açúcar, óleo, café, leite… o tamanho vai depender da sua necessidade.

A dica acima também serve para sacos menores com arroz, macarrão e outros alimentos que ocupariam espaço e peso desnecessário na mochila.

Para garantir que os líquidos não derramem, uma opção é envolver a tampa e uma parte do corpo dos potes e garrafas com esparadrapo.

Com o tempo você vai eleger o que funciona ou não na sua realidade, de acordo com o gosto pessoal, incluindo outros itens ou excluindo alguns dos que citei acima.

 

Ainda tentamos fotografar no final da tarde, esperando aquele céu cheio de cores, mas o clima, definitivamente, já não era o mesmo do primeiro dia.

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Essa foi a primeira vez que Karla e eu usamos nossa nova barraca e só aí descobrimos alguns detalhes sobre essa aquisição… O formato dela lembra um triângulo retângulo e na parte mais baixa os pés podem encostar no tecido, o que os deixaram muito gelados na noite anterior, mesmo com o restante do corpo bem aquecido. Dessa vez não quisemos correr o risco novamente, colocamos a maior parte das tralhas na área dos pés e subimos um pouco o restante, além de testar uma técnica que nunca tinha sido necessária

A ideia é esquentar pedras, geralmente na fogueira, envolvê-las em algum tecido e colocá-las no fundo do saco de dormir. Como não é permitido esse tipo de pirotecnia dentro do parque, esquentamos as nossas diretamente sobre a chama dos fogareiros, bastaram cerca de cinco minutos esquentando uma para cada, mais ou menos com 20 cm de comprimento e metade dessa medida de largura. Envolvemos os artefatos em uma camisa, que estragou completamente, e colocamos outra camisa como camada de segurança para não queimar o saco de dormir ou algo mais dentro da barraca. O resultado foi sensacional! Fora da barraca fazia 9º, enquanto Karla não segurava as gargalhadas por causa do 18º dentro, o que rendeu alguns “shiiiiiiiiii” dos vizinhos 😀

Foi a noite mais confortável de todas, com as pedras mantendo a temperatura quase que até a manhã do dia seguinte, que nos reservava algumas surpresas…

 

18 de abril | Para a Laguna Torre

O dia amanheceu nublado, com nuvens negras e lenticulares, que não significam boa coisa.

Fotografamos até umas 9h30, desistimos e fomos tomar café. Logo depois, enquanto desmontávamos acampamento e arrumávamos as mochilas, o tempo degradou de vez. Uma ventania começou e a chuva caiu… durante o restante do dia as condições permaneceram assim.

Colocamos as mochilas nas costas e enfrentamos o clima pela trilha que passa pelas Lagunas Madre e Hija. São 7,5 Km do acampamento Poincenot até encontrar a trilha principal – que vai para a Laguna Torre – e dali mais 3 Km até o Camping De Agostini. Todo esse percurso é bastante plano, apenas com descidas nos quilômetros finais, quando as duas trilhas se encontram.

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Em alguns trechos o vento era tão forte que precisamos parar e fincar os bastões de caminhada para não sermos derrubados. Isso só melhorou quando entramos em trechos de bosque, onde permanecíamos abrigados, até sairmos dali e recomeçar a brincadeira.

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Saímos por volta de 11h do Camping Poincenot e alcançamos a bifurcação para a trilha da Laguna Torre às 14h, entre o Km 5 e 6, em um total de 9, desde a cidade de Chaltén. Chegamos ao camping um pouco antes das 16h, ainda sob a chuva fina que teimava em cair. Armamos as barracas assim mesmo.

Quando o clima melhorou preparamos a refeição do dia com o que ainda restava dos mantimentos: um pouco de macarrão, os últimos ovos, queijo ralado e aqueeeele couro de bacon que o Careli havia guardado, frito em tiras ficou um espetáculo 😉

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Ao lado do camping passa um rio bem largo, mas com as águas leitosas, o que não incentiva o consumo. A melhor fonte de água fica na trilha em direção à cidade, cerca de 300m de onde estávamos, logo depois de alguns troncos que estão sobre um trecho mais úmido. O filete fica à esquerda e nesse dia a água estava simplesmente congelante.

O saco de dormir nos chamou logo no início da noite – fazia 10º dentro da barraca, 5º fora –  e nos abraçou de tal maneira que foi impossível fugir. Acordei na madrugada para ir ao banheiro e aproveitei pra esquentar algumas pedras, atendendo o pedido dos pés gelados. Karla não quis sair do casulo nem para buscar a sua. Solitário ali fora, esquentei as duas por menos tempo e entrei. Careli fazia coro com os sons da noite patagônica.

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