El Chaltén | Acampando pela patagônia argentina

14 de abril | Chegada e preparativos

Deixamos nossa bagagem no hostel e fomos almoçar. Só aí também descobrimos que é bem complicado achar um lugar que faça o câmbio na cidade

Entramos no Restaurante Ahonikenk, perguntamos se aceitavam cartão ou reais, resposta foi negativa. Careli e eu deixamos a Karla lá e fomos nos locais onde indicaram ser possível trocar nosso rico dinheirinho, mas nenhum deles fazia isso. Padaria, não. Loja de equipamento, não. Loja de artesanato, não. Supermercado, não… Andamos quase a cidade inteira e encontramos apenas dois lugares, a Wafferia e o Hostel e Restaurante Rancho Grande. Na primeira a cotação era de 4 para 1, no segundo 3 para 1. Fizemos o câmbio e meia hora depois estávamos de volta, roxos de fome. Resolvemos o problema e fizemos as compras dos mantimentos para os dias quando ficaríamos acampados.

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Do hostel até a entrada da cidade são cerca de 1,5 Km, fizemos esse trajeto três vezes para encontrar tudo que queríamos, pilhas foi o mais complicado.

 

Ó o gás!!!

Não é permitido viajar com gás no avião, logo, se for acampar, também é preciso comprar isso em Chálten.

 

Fizemos a última perna da caminhada, com uma parada para abastecermos com empanadas e cerveja artesanal no Rancho Grande e voltamos, de vez, para o quarto quentinho no Hem Herhu, onde desmaiamos em nossas camas até que um argentino que também estava no quarto começou a roncar, fazendo coro com Careli 😀

Protetores auriculares podem ser bem úteis na sua bagagem, sempre levo os meus 😉

 

15 de abril | Laguna Capri

Acordamos por volta das 11h. Depois do café arrumamos as mochilas, deixamos no hostel alguns materiais que não usaríamos nos dias acampados, pegamos algumas dicas com Hugo e seu ajudante e deixamos a cidade para trás por volta de 13h.

O Hem Herhu fica somente a 300m da entrada do parque.

Tivemos algumas confirmações com o guarda-parque que estava ali, como o fechamento da trilha que vai até a Laguna Sucia e da que chega no Glaciar Piedras Blancas.

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O primeiro objetivo era o camping nas margens da Laguna Capri. São apenas 4 Km até lá, sendo a primeira metade um pouco mais íngreme e o restante menos inclinado.

Com as mochilas pesadas contendo comida de verdade para seis dias, demoramos cerca de três horas para chegar, com o dia ainda bem claro.

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Fizemos um roteiro que chamamos de Circuito H, indo até a Laguna Los Tres, dormindo no campings da Laguna Capri e Poincenot, essa é a perna direita do H. Voltamos e entramos na linha que liga as duas pernas do H, passando pelas Lagunas Madre e Hija até encontrar a trilha que vai para a Laguna Torre, onde ficamos no camping De Agostini e voltamos para a cidade pela perna esquerda do H.

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Tiramos algumas fotos e avaliamos as locações para outras no dia seguinte. No final da tarde a temperatura despencou para 6º, chegando depois aos 5º do lado de fora da barraca e 10º dentro, quando fomos dormir.

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E a orientação?

Todo o parque é muito bem sinalizado, com placas indicando direções, locais e marcações a cada quilômetro nas trilhas mais frequentadas.

Se tiver alguma dúvida antes de começar sua caminhada, basta se dirigir ao centro de visitantes, que fica na entrada da cidade, os guarda-parques são muito atenciosos e prestam todas as informações com prazer, inclusive podem fornecer um mapa básico com as trilhas, que pode ser bem útil.

As trilhas principais ficam em dois grande vales, o da cadeia do Fitz Roy e o do Cerro Torre, há ainda um trilha que liga esse dois vales, passando pelas Lagunas Madre e Hija.

 

Quando falei comida de verdade antes foi exatamente isso o que quis dizer, levamos o que comemos em casa, sem nenhum famigerado miojo ou lata de atum.

A primeira refeição foi picadinho de carne seca com abobrinha ao shoyo e arroz.

Acho que pela empolgação com o lugar, ficamos muito distraídos com a preparação e a primeira leva de arroz queimou. Isso faria falta no final da viagem…

O banho ficou pra outro dia, mas as toalhinhas umedecidas salvaram o precisava ser limpo.

A noite ainda rendeu algumas fotos, com o céu estrelado e a lua iluminando tudo. Fomos deitar por volta das 22h.

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16 de abril | O melhor dia

Além de ser a época mais bonita para fotografar, o sol nasce bem mais tarde, por volta de 8h30, deixando o caminhante cansado dormir um pouco mais.

Acordamos às 7h para pegar o horário com a melhor luz. Careli e eu mais próximos do camping e Karla em uma pequena prainha a uns 100m dali, lutando com um tripé improvisado com bastões e um pedaço de madeira, já que esqueceu o seu no Rio.

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Foi o dia no qual renderam as melhores fotos. Encerramos a sessão quando o Fitz Roy ficou claro demais em relação ao primeiro plano onde estávamos.

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Voltamos para o acampamento onde fizemos a primeira refeição do dia, desmontamos as barracas, arrumamos as mochilas e, depois de mais algumas fotos na prainha onde Karla estava, partimos para a próxima área de camping, por volta das 15h.

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O trecho entre a Laguna Capri e o camping Poincenot é bastante plano, andamos bem rápido, com poucas paradas, sendo uma delas para um banho de verdade, logo após uma ponte onde é indicado que só passe uma pessoa por vez. O sol estava baixando e ficamos com medo de chegar no final do dia de caminhada sem ele.

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O esquema foi ficar com roupa de banho, encher os sacos estanques com a água do rio e levá-los para um boa distância das margens, para podermos usar sabonete. As panelas ajudaram no esquema para nos molharmos sem derramar toda a água dos sacos. Quando medimos a temperatura da água, estava em 8,5º.

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O momento foi surreal, com todos ali parecendo estar na praia, as montanhas gigantescas cobertas de neve ao fundo e um rio de águas completamente transparentes. Um espetáculo!

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Chegamos ao camping no final de tarde, ainda com luz do sol, mas com toda a área na sombra, devido à proximidade com as montanhas ao redor.

O cardápio da noite teve novamente arroz e legumes refogados na manteiga com shoyo.

Em todos os dias fui o cozinhenheiro, com Careli e Karla revezando a lavagem das panelas, o que, na maioria das vezes, a temperatura da água deixava bem desagradável.

Após o jantar, arrumamos as mochilas para o dia seguinte. O plano era chegar na Laguna de Los Tres com o nascer do sol e ficar ali até o anoitecer, para fotografarmos algumas estrelas.

 

Como saber que horas o sol nasce e se põe?

Há alguns aplicativos e sites que mostram isso com facilidade. Usamos o The Photographer’s Ephemeris. Basta selecionar a data e pesquisar o local no mapa que, além desses horários, indica muitas outras informações importantes. Recomendo!

 

Nessa noite nos recolhemos cedo, por volta das 21h, quando a temperatura fora da barraca estava em torno de 8º. Dentro o termômetro marcava gostosos 14,5º.

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