Escalada em rocha no Chile | + neve e água caliente | Rio Caminhadas.com.br

Escalada em rocha no Chile | + neve e água caliente

A manhã despertou tarde. Amanda foi fazer um passeio pelas redondezas e o restante da massa foi às compras. Com 5 minutos dentro do metrô, Bernardo percebeu que havia sido furtado. Perdeu US$ 250 para alguma chileno, junto estavam todos os documentos, com exceção do passaporte. Adotamos o menino e o financiamos pelo restante da viagem. Repetimos o mesmo roteiro das lojas e almoço chinês. Bernardo, acompanhado de João, foram ao Achados e Perdidos do metrô, mas sem sucesso. Voltamos para o hostel. Fizemos contato com o Marcio novamente para nos levar no dia seguinte ao nosso próximo destino. Enquanto uns ainda estavam curtindo a cidade, outros ficaram em um churrasco no hostel mesmo. Marcinha e eu voltamos ao Patio Bellavista para experimentarmos uma especialidade da cidade, Salmão. Passamos algum tempo por lá e voltamos logo, a quarta-feira amanheceria cedo.

Acordamos às 7h. Marcio chegou às 8h. O combinado era ele nos deixar em Las Melosas e voltar depois para nos buscar. Dessa vez cobrou US$ 10 de cada um por viagem. Mas, quando começamos a conversar dentro da van, ele veio com outra história, dizendo que não poderia no buscar… Seguimos.

Las Melosas fica na região de Cajon del Maipo, uma bela área com muitas opções de diversão. São vários vilarejos por todo o trajeto. Passamos por San José, San Gabriel, paramos em um posto dos Carabineiros para preencher uma ficha com os dados do nosso roteiro e dados pessoais, continuamos e paramos em uma propriedade onde morava a figura de Giusepe, este informou que o lugar que procurávamos ficava à 12 Km dali. Entramos no desvio para Las Melosas, sem saber exatamente onde parar. Rodamos os 12 Km indicados por Giusepe em estrada de terra e com pontes duvidosas e chegamos a um lugar horrível, onde passava um rio barrento. Sem condições, voltamos pensando em desistir e ficar em alguma cidadezinha por ali. Mas, na volta, identificamos o lugar por uma das fotos . É, não é, é, acho que é, talvez seja… Resolvemos parar novamente na casa do Giusepe, negociamos a estadia no seu quintal, que de início era de US$ 30 pelos três dia para cada um, para metade do valor. Poderíamos usar o banheiro e a cozinha da casa. Marcio partiu, já impaciente com a nossa indecisão e provavelmente achando que tinha entrado em uma furada com esse grupo que não sabia onde ia e o fez rodar por estradas poeirentas por tão barato 😀

Quando nos identificamos no posto dos Carabineiros, recebemos um canhoto com telefones de contato, para ajuda em caso de problemas, são eles 02-9223315 e 09-6233086.

Assinaí pro cara deixar a gente passar

Foto de cartão postal

 

Armamos as barracas, arrumamos as mochilas e partimos para a área de escalada. As indicações batiam com as de um guia que encontramos na Federação Andina. Depois de San Gabriel, após entrar no desvio para Las Melosas, vá até uma ponte em mal estado, do lado direito fica a área de camping. Só não sabíamos qual ponte em mal estado, era a primeira, à 2,5 Km. Ali é possível ficar, há água e um bom local para acampar, além de ser bonito demais! Mas para não haver dúvida, se estiver disposto a chegar, basta baixar o arquivo com os pontos que marquei no GPS, clique aqui 😉

Avenida?

É, avenida!

Cachoeirão

Estudando o diedro

Amiguinho chileno

Sol começando a partir

Visuaaaalll

 

Do local de camping para a base das vias basta atravessar o rio logo abaixo de uma pequena cachoeira – onde é uma delícia tomar banho nu – e seguir por uma trilha, de início bem tranquila, mas depois com muito cascalho. É bom usar capacete. Lembrou muito as trilhas de acesso para às agulhas do Frey. Todo mundo achou o acesso às bases meio estranho. Hans e Bernardo foram lá reconhecer, mas voltaram desanimados, falando do cascalho e tipo de vias. Insisti e disse que voltaria ali no dia seguinte. Voltamos para Giusepe, desfrutamos de outro banho gelado, da nossa comida e da cantoria do nosso anfitrião, que até mandava bem no violão.

O restante da noite foi tomado por uma discussão à respeito do que faríamos no dia seguinte. Bati o pé e disse que escalaria. João tomou a outra frente e falou em conhecer uma piscina termal a alguns quilômetros dali. Conversa vai, conversa vem, Julio vai pra um grupo, volta pro outro, Hans não vai pra nenhum, volta, vem… Por fim, Julio e Hans formaram uma cordada, Marcinha e eu outra. João, Bernardo, Anne e Amanda iriam para as piscinas.

O frio se apossou do lugar quando o sol partiu, automaticamente. E essa noite, segundo quem morava por ali, foi a mais fria em muito tempo. João estava sem saco de dormir! Bernardo, que estava na mesma barraca, foi sua mãe durante a noite inteira, cedendo TODAS suas roupas para aquecer o audaz banhista. 4h30 o menino já estava de pé, procurando algum raio de sol.

 

Amanheceu e os grupos se formaram. Quem era de escalada foi para a escalada e quem era de banho quente foi para as piscinas. Fizemos mais uma vez a trilha até o setor e chegamos à base de um diedro fácil, mas lindo, e grande. 45 m sem grampos. Os olhares assustados de todos foi interessante 😀 Soltei um “Todo mundo com medinho, né?!” Ninguém respondeu. Começamos a nos equipar. Comecei a subir, enfiando as peças no granito e cheguei à uma parada fixa no final do diedro. Marcinha foi depois, limpando. Hans assumiu a segunda cordada e chegou muito bem ao final. Julio fechou o grupo. Pronto, o bicho não era tão feio assim. Emendamos as cordas, descemos e fomos procurar outras vias. Fiz segurança para Julio entrar em uma esportiva protegida por chapeletas, talvez um 6º sup ou 7º grau estranho. Mandou boa parte da via e a passou pra mim, voei algumas vezes e cheguei ao ponto de rapel. Ele subiu limpando. Hans entrou com Marcia em outra via em móvel ao lado. O dia estava indo embora enquanto arrumávamos as mochilas para voltar ao abrigo, onde encontramos os banhistas dos Andes.

Lá está ele

Agora mais de perto

Tá com medinho, tá?!

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Mais de perto ainda!

Marcinha limpando a via

Hans entalando as besteirinhas

Geral na parada

Capacete da Gabi testado 😀

Julio em um estranha

Agora sim, final de tarde

 

Essa noite foi exótica… Primeiro Giusepe veio com um papo furado sobre o pagamento, disse que ainda estávamos devendo. Mostramos para ele que não, com Amanda falando espanhol fluentemente 🙂 Resolvido o caso, começou a cantoria. Depois do sucesso internacional – Tu & Yo -, Julio perguntou se não dava pra sair um banho quente. Nosso camarada falou que sim, claro! Julio se animou e formou um dueto com o cantor. Marcinha e eu tomamos banho quente, mas na hora que o autor da ideia entrou no banheiro, Giusepe começou o teatro, falou que a água – vinda do Andes??? – tinha acabado! Julio lá dentro todo ensaboado. Giusepe vai para um lado, vai para o outro, bate na torneira e nada. Julio termina seu banho com a toalha. A água chegou depois… Essa foi nossa última noite no lugar.

Os banhistas da quinta partiram para Santiago na sexta. O grupo que havia escalado virou banhista 😉 Anne não foi embora, nem tomou banho. Aproveitou o dia para ficar de boreste por ali mesmo até retornarmos.

O esquema para voltar de ônibus é muito simples. Às 7h e 17h30 passa um com destino à Santiago (Metrobus nº 72), o ponto fica exatamente em frente à casa do Giusepe. Relaxe – a viagem demora – durma e desça no ponto final, que é a estação do metrô de Bellavista de La Florida (Linha 5), a partir daí basta seguir para a sua estação de destino. Para ir basta fazer esse caminho no sentido inverso e pedir para descer no desvio para Las Melosas, antes de Volcan. Os ônibus saem da estação às 12h30 e 18h30. O metrô custa 520 pesos e o ônibus 1200.

A missão era chegar em Baños Colina, para isso pegamos uma carona nos caminhões que transportam minério da mina que fica no caminho. Descemos nessa mina e continuamos a pé a partir dali. São cerca de 15 Km de carona e um pouco menos de 12 a pé, com os 4 primeiros por subidas leves e o restante bem plano. Na época do ano em que fomos a estrada estava parcialmente fechada para carros após a mina. Fizemos os dois primeiros terços sem problemas, lama na pista, neve ao redor e paisagens maravilhosas. No último terço não havia estrada, um metro de neve cobria o caminho em muitos pontos. O tempo, que estava perfeito quando saímos, mudou completamente. A neblina cobriu tudo e o frio aumentou. Todos calados. Continuamos, com cada um pensando “Não era melhor a gente voltar?!”. Como ninguém falou… 😀 E foi a melhor decisão, logo depois o tempo abriu. Chegamos a um ponto com várias construções, onde a trilha sumia, e avistamos no alto, à esquerda uma casa amarela que o grupo anterior nos passou como referência para acharmos as piscinas, que ficam em um plano acima de quem ali chega. Subimos até a fonte e vimos a sequência de piscinas abaixo. A água nasce das entranhas da montanha e enche a primeira piscina, onde é impossível entrar, de tão quente. Na segunda a temperatura é simplesmente PERFEITA. Foi ali que ficamos. Não havia absolutamente ninguém no lugar.

Não entendi essa placa em frente de uma mina!

Bôra escaldar, uhuuuu 😀

Produtos diversos

A torre onde nascem os Orks

Granito de mala calidad

Metade do caminho

E o tempo virou…

Mas abriu! 😀

 

Enquanto Marcia foi colocar o biquíni, Julio, Hans e eu incorporamos o espírito naturista do lugar e pulamos nus na piscina. Quando ela voltou e começou a filmar, os três sincronizados saltamos, como botos andinos, para fora da água 😀 A menina quebrou a corrente e ficou de roupa, mas entrou nas piscina.

O lugar é realmente diferente. Você pisa na neve para entrar em uma piscina fumegante com cascata de água quente, de frente para um vale monumental com montanhas nevadas. Maravilhoso!

Ficamos de molho, cozinhando, até que começou a nevar… Partimos. A trilha de volta foi gelada, o vento bate de frente e a neve fofa em alguns pontos completa a aventura. Marcinha atolou até a cintura em um ponto, enfiou o bastão na neve, que afundou também, saiu rastejando e esbravejando porque, ao invés de ajudá-la, alguns riam, enquanto outros filmavam 😀

Os banhistas do dia anterior

E nós

Diliça

Neve, água fervendo, sunga, frio, calor, uma doideira

Tudo só nosso

Corre que tá nevando

Partiu…

Até no caminhão do gás

 

12 Km depois chegamos à mina e esticamos os polegares pedindo carona. Hans e Marcia foram na primeira leva e chegaram rápido ao abrigo. Julio e eu, como éramos do mesmo sexo dos motoristas, demoramos mais para conseguirmos transporte. Passaram pelo menos três caminhões até uma boa alma parar e, depois de pedir para limparmos os pés, deixou que ocupássemos sua cabine. Era melhor que não o tivesse feito… O caminhão-lesma rodava a meio quilômetro por hora e ainda parou no meio do caminho para o motorista tomar alguma coisa em uma casa na beira da estrada. Nossa paciência se esgotou e fomos andando, faltavam alguns quilômetros… Outros caminhões passaram, mas como nosso sexo não mudou nesse meio tempo, continuava o mesmo dos motoristas, não conseguimos nada. Até que um caminhão de transporte de gás parou. Embarcamos e sobre os botijões falamos que ficaríamos no Giusepe. Chegamos exatamente ao nosso destino 17h25, o ônibus para Santiago passaria ali 5 minutos depois.

Como falei mais acima, a viagem demora. O ônibus dá praticamente uma volta ao mundo até chegar em Santiago. Descemos na estação Bellavista de La Florida e seguimos até a de Baquedano, ao lado do hostel onde ficamos. Quando chegamos lá a festa rolava solta. Amanda havia armado uma despedida. Churrasco, bebidas, criaturas espanholas, mexicanas, peruanas e sem nacionalidade ou espécie definida. Ficamos na interação até que a madrugada chegou e Amanda partiu.

Como a sexta demorou a ir embora, o sábado amanheceu tarde – bem tarde –. João e Bernardo foram para Val Paraíso e Viña del Mar, os que restaram foram comer algumas empanadas na esquina como café da manhã. Como haviam chegado mais pedidos de compras de equipamentos, voltamos à Just Climbing e La Cumbre, mas também tivemos que ir à Andes Gear para comprar uma sapatilha que não havia em nenhuma das lojas anteriores.

Para chegar a Andes Gear, basta descer na estação do metrô Tobalada e andar alguns minutos até a Rua Helvecia, 210.

Como o povo estava disposto, voltamos andando para o hostel, passando pelo Parque de las Artes, onde paramos por alguns horas. Refestelação na grama e desespero da Anne, que não conseguia achar um banheiro no raio de alguns quilômetros… Partimos, antes que a menina fosse presa por atentado ao pudor, já que cada canto de muro se apresentava como uma possibilidade para acabar com seu problema. O suspiro de alívio veio quando achamos um posto de combustível, que cobrou 1500 pesos por uma mijada – peço desculpas ao leitor mais sensível por palavra tão chula, mas com a bexiga cheia é difícil escolher outra expressão, perguntem à Anne :)-. Aliviados continuamos a caminhada e paramos em uma rua próxima do nosso conhecido Patio Bellavista, onde há uma grande concentração de lojas que trabalham com uma rocha chamada lapislazuli, aproveitei e comprei o presente de aniversário da minha filha 😉 Continuamos as compras em uma feirinha em frente ao Patio e dentro dele, onde aproveitamos e almoçamos. A descoberta da viagem foi uma cerveja da Ilha de Páscoa, chamada Mohani. Recomendo!

Bebendo um aquário de cerveja

Refestelando

 

Finalmente chegamos ao hostel. Anne e Marcia decidiram fazer o programa turistão Valparaíso/ Viña del Mar no dia seguinte. Hans, Julio, Bernardo e eu não tínhamos nada definido. Minha sugestão era conhecer uma vinícola. Não conseguimos informações com as pessoas que conversamos e a responsável pelo hostel naquela noite “pediu” para desligarmos o computador e internet à meia-noite. Fui dormir para acordar cedo e pesquisar…

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